Viagem aos teus Joelhos
Observando você cabisbaixo
Desisti de encará-lo
Pus-me a olhar teus joelhos
E como eles são móveis
Estranhas molas das pernas
Que lembram-me marionetes
Ativas e vivas
Favoráveis a peripécias
E quão importantes são
Para que você ande, corra ou
Simplesmente dobre-se
Às ordens humanas
À vontade de Deus
Em oração,em devoção, em contrição...
Imaginei sobretudo, esses joelhos flexionando-se
Para arrastar teu corpo sobre outro corpo
Duplicando um momento de Amor
Sem horror, sem pudor
Deixando-te de quatro
Contracenando um filme de quinta
E ajoelhados...
Tanto tema para um poema, né Robe Pessoa?
sábado
ANJOS EXISTEM
Anjos são guias
protetores do dia
guardadores da pernoite
acompanhantes da noite
cuidadores na madrugada
guiadores na caminhada.
Anjos protegem
atendem,acolhem e regem
compreendem
surpreendem
são ocultos
cultos
cuidam sem avisar
lembram de livrar
Anjos são mensageiros de Deus
não esquecem os seus
dão livramento
salvamento
sem que o veja
realiza o que você deseja
Anjos são guardas
Ele sempre me guarda
Meu anjo da guarda
protetores do dia
guardadores da pernoite
acompanhantes da noite
cuidadores na madrugada
guiadores na caminhada.
Anjos protegem
atendem,acolhem e regem
compreendem
surpreendem
são ocultos
cultos
cuidam sem avisar
lembram de livrar
Anjos são mensageiros de Deus
não esquecem os seus
dão livramento
salvamento
sem que o veja
realiza o que você deseja
Anjos são guardas
Ele sempre me guarda
Meu anjo da guarda
terça-feira
FINGINDO QUE SOMOS SÓS... ATANDO NÓS
Distanciando-se do paraíso
Eram dois comprometidos
Dois metidos
Desprovidos de juízo
Duas metades que iam-se viciando
No silêncio da loucura
Ao sabor do proibido
Numa magia tão pura
Quase sempre madrugada
Num instinto sem censura
Em pontos de exclamação
De dois corpos, mil abraços
Formando nós, criando laços
E não aprendendo a desatá-los
quarta-feira
DIA DA POESIA - 14 DE MARÇO
Para fazer poesia
É preciso mentir verdades
Passar fome, despir-se,
Angustiar-se, revoltar-se,
Esvaziar-se fazendo cena
Olhar de lado sem estar ao lado
Para cutucar o outro lado
O poema é uma denúncia
Sem autoria
Com falsas promessas
De sonho as avessas
Concebido na dor e na saudade
De um anônimo só
Tão só
Que só ganha dono
Quando o poeta morre
Para fazer poesia
É preciso mentir verdades
Passar fome, despir-se,
Angustiar-se, revoltar-se,
Esvaziar-se fazendo cena
Olhar de lado sem estar ao lado
Para cutucar o outro lado
O poema é uma denúncia
Sem autoria
Com falsas promessas
De sonho as avessas
Concebido na dor e na saudade
De um anônimo só
Tão só
Que só ganha dono
Quando o poeta morre
terça-feira
Semana
E ai vou eu: chutando pedras, plantando flores, buscando amores,
encontrando-me, perdendo-me, lapidando-me e tentando ser um pouquinho melhor...
Só Hoje é segunda e logo chegará sexta, sábado e domingo prá lembrar de não esquecer que toda semana tem segunda.
Terça-feira é dia de tirar alguém da cabeça e abraçar
É dia de amor quase anônimo, de um querer calado
Para que o mundo não saiba nem venha a invejar
O que está bom sem estar ao lado, sem estar alado
Quarta-feira estou na metade de mim
Ordinariamente rindo à toa
Perdida em lembrança boa...
E na quinta, sou filme de quinta
Saio, comando, fico, enceno ou durmo
Não importa se eu minta
Ou que eu deixe tudo prá outro turno
Pois chega a sexta
Flores na cesta
Cesta de flores
De amores ,sem amores, com amores...
Ah sexta-feira
Chegaste sem eira
Na véspera do sábado
Irmão do domingo
De som encantado
Quase alma gêmea
De machos, de fêmeas
De bares, lugares
Onde amigos vão se encontrar
Sem combinar
E sem esquecer de que amanhã é segunda-feira
Segunda matreira
Que emana
Mais uma semana.
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